Jornalismo

Como aliar conteúdo impresso e on-line

Números e reflexões


O impresso e o digital

Ano a ano as pesquisas envolvendo dispositivos móveis e conteúdo digital têm chamado nossa atenção com números cada vez maiores.

Só no Brasil, por exemplo, somos mais de 76 milhões de usuários com Smartphone (Nielsen IBOPE, 2015). E durante o dia, passamos cerca de 5,3 horas na frente de computadores e tablets domésticos (pesquisa realizada pelo Ibope Conecta, também em 2015).

As mídias sociais já são a primeira fonte de consulta de informação para 72% da população nos países emergentes. E os veículos tradicionais como jornais, revistas e TV, são citados como a segunda referência para buscar informação. A pesquisa, conduzida pela Microsoft, abrangeu redes sociais como Facebook, YouTube, Twitter, QZone, Weibo, Vkontakte, Instagram e LinkedIn.

Ok. Então isso quer dizer que a tecnologia está aos poucos substituindo os meios tradicionais de informação - como jornais e revistas?

Não.

Podemos dizer, sim, que os formatos de mídia tradicional estão sendo desafiados a oferecer entregas diferenciadas e mais atrativas de conteúdos. E quer dizer, também, que o impresso e o digital (juntos) estão trabalhando para aproximar ainda mais os leitores de editoras e veículos de comunicação.

Walter Longo, presidente do Grupo Abril, resumiu de forma prática e direta sua opinião no DigitalDay 2016, da ANER. Segundo ele, não é preciso substituir as páginas impressas pela versão digital, mas sim criar engajamento para que o leitor possa consumir os conteúdos de forma integrada.

Alguns jornais do país estão provando essa teoria. É o caso da Zero Hora, maior jornal do Rio Grande do Sul e o quinto do País, com circulação média diária de 200 mil exemplares - dos quais 155 mil vão para assinantes.

Este ano, a circulação digital da Zero Hora está em alta de 56%, o dobro do segundo jornal que mais cresce: O Globo, com 27%. (O diretor da área digital do Globo, Antonio Coelho, veio do jornal gaúcho.)   

O sucesso digital faz com que a Zero Hora — onde metade da receita vem de assinaturas e a outra, de publicidade — seja um dos poucos grandes jornais brasileiros que cresce sua circulação total, de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), que consolida os assinantes do jornal impresso e do digital.

Para essa nova estratégia a ZH primeiramente tratou de ouvir seus consumidores. A partir de uma pesquisa profunda para entender os hábitos dos assinantes, descobriu-se que, de acordo com Andiara Petterle (vice-presidente de jornais e mídias digitais do Grupo RBS), “que as pessoas não têm amor ao papel, e sim à forma como leem o jornal”. E mais, "quando terminam de ler o jornal impresso, elas têm a sensação de terem lido tudo o que precisavam, e é isso que tentamos reproduzir em nossos formatos digitais”.

A saída, analisando o cenário, é identificar formas de oferecer novas experiências aos leitores. Experiências de leitura que vão além das informações restritas ao número de páginas de um jornal ou uma revista.

Para viabilizar o conceito de experiência de leitura ao resultado da pesquisa, a Zero Hora tem investido muito em seu conteúdo digital. Isso quer dizer que, mais do que disponibilizar suas notícias na internet, o Grupo RBS busca aliar a informação e credibilidade do impresso às possibilidades de desdobramento do digital.

Lançado em dezembro de 2015, o ZH Tablet propõe, além de novos formatos de notícia – ao folhear a edição digital você terá acesso a vídeos, galerias de fotos, infográficos e outras interatividades – opções atrativas para os leitores decidissem experimentar a novidade. 

O jornal cobrava R$109 por mês pelo ZH Tablet, comparado com R$85 por uma assinatura impressa.  Em agosto, reduziu o preço para R$79 e passou a exigir uma fidelidade de dois anos.  “Mesmo com o preço mais baixo, a conta ainda fecha,” diz Petterle. Além disso, o jornal fechou uma parceria para vender as assinaturas do tablet nas Lojas Colombo, a maior varejista gaúcha de eletroeletrônicos.

O dado mais promissor da inovação: 35% dos assinantes do ZH Tablet não eram assinantes do jornal impresso.

O ZH Tablet fez a Zero Hora ganhar o prêmio de “melhor estratégia de assinatura” da International News Media Association, e Petterle levou seu time num tour por jornais como The Washington Post, The New York Times e The Guardian para aprender sobre inovações e trocar experiências.

 

 

Leia mais na matéria: Na Zero Hora, um laboratório para o futuro dos jornais

  

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