Jornalismo

Tendências do Jornalismo digital para 2017

Jornalismo, mídia, tendências e previsões tecnológicas, em uma análise do relatório divulgado pelo Instituto Reuters


Tendências do Jornalismo digital para 2017

Nic Newman é um jornalista especializado em estratégias digitais que nos últimos dez anos contribui com as estratégias editorias lançando as tendências para o jornalismo. Em 2016 o documento passou a ser publicado pelo Instituto Reuters, e segue com metodologia objetiva, sem enrolação ou gráficos e tabelas pesadas, em poucas páginas. 

Recomendo ler todo o documento original, pois irei apenas adaptar e resumir alguns itens que achei mais interessantes:

Alexa e Chatbots atuando em técnicas de jornalismo conversacional: Os chatbots costumam ser usados  em "atendimentos”, como interações automáticas. Mas e se usarmos essa tecnologia aliada à IA para fornecer um apoio mais inteligente?

Um chatbot robô com watson conseguiria interpretar a informação e responder dúvidas dos leitores sobre a matéria, agregando a ela mais informações que o jornalista não colocou? Não defendo nem um pouco "bot-jornalistas", mas um assistente virtual do jornalista agregando mais informações à matéria (a partir da interação com leitores) me parece muito interessante!

 O que é Chatbot?
Bots seria o diminutivo de robot (robô em inglês), mas a forma mais clara de descrever este termo seriam softwares de respostas automáticas. Estes softwares são programados para executar funções pré-definidas, e assim conseguem gerenciar tarefas de forma automatizada baseada em cada input/inserção de dados. Os chatbots são o uso desta ferramenta para criar conversas -chats-, gerenciando perguntas e respostas durante uma interação com pessoas reais.

Fact-checking automatizado para restaurar a confiança da opinião pública: Seguindo a mesma tendência anterior, um chatbot assistente do jornalista não poderia atuar como um fact-checking em tempo de edição? O Le Monde já faz isso, mas para leitores. O jornal construiu o que chamou de code machine (máquina de decodificação, em português). Para isso criaram o portal Les Decodeurs com matérias decodificadas, ou seja, aquelas com todos os dados validados, alimentados com informações, análises etc.

Perfil do Les Decodeurs no twitter

 

Lockscreen e notificações: Cada vez mais importantes! As notícias vão sendo entregues no mobile com mais informações, com botões de ação já na tela de bloqueio do aparelho. Menos obstáculos no caminho leitor – conteúdo.  

Últimas notícias diretamente na tela de bloqueio

 

Realidade aumentada é interessante, mas ainda sem resultados financeiros ou práticos. O leitor não vê como grande diferencial, apenas "legal", gera empatia.

A tecnologia muda muito, e em pouco tempo. Em 2013 a realidade aumentada era muito promissora nos jornais (exemplos neste e neste link). Ainda em 2011 já tínhamos exemplos de aplicabilidade, como o que foi publicado neste link. Mas em 2017 ainda vemos muitas experiências, que ainda não comprovam resultados reais para revistas e jornais.   

Voz e áudio: Conteúdo personalizado para membros com suporte para comandos de voz e podcasts. A nova geração não quer mais boletins de notícias, listão. A entrega do conteúdo cada vez mais exige o formato de vídeos curtos, em multicanais, como facebook live e instagram. 

De tudo o que foi dito, a Inteligência artificial é o item que mais necessita atenção. O mundo mobile tende a transformar-se em mundo da AI , e os leitores exigirão esse tipo de algoritmo para acesso a conteúdos de qualidade. 

O que Newman não falou: Não há nada na publicação que fale sobre Blockchain. Talvez para 2017 ainda não seja o momento, mas a distribuição para venda de conteúdo em microserviços poderá passar diretamente por tecnologia de blockchain - assim como segurança para a liberdade de imprensa. Vide o que a @Publicism (empresa holandesa estabelecida no início do ano passado e que busca aproveitar o potencial da tecnologia blockchain para garantir a liberdade de imprensa) está fazendo.

Como disse Don Peppers neste artigo, talvez logo a Web tenha uma quantidade substancial de conteúdo publicado sendo disponibilizada para visualização via micropagamentos, e não via macro-anúncios. Isso nos daria o melhor dos dois mundos, com respeito ao negócio de publicação. Não haveria ainda nenhuma barreira à entrada, mas haveria também uma ligação econômica direta ao valor do índice intelectual criado.

Ainda sobre micro-pagamentos e plataformas como Blendle e Flattr: elas são intermediárias na relação leitor e editor, mas blockchain vem justamente para eliminar intermediários em qualquer relação C2C, assim como Bitcoins (e tanto elas, recém nascidas, quanto bancos, centenários, precisarão se adaptar). 

 

Clique aqui para fazer download do Relatório de Notícias Digitais publicado pelo Instituto Reuters, de autoria de Nic Newman. 

E você, o que acha? Concorda com as tendências do Jornalismo digital para 2017?

 

Comentários

VEJA TAMBÉM...