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Como foi o DigitalDay da ANER

Digital Day 2016 - ANER 30 Anos


ANER - Divulgação - ANER - Divulgação

A ESPM de SP recebeu mais uma edição do Digital Day promovido pela ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas). O encontro reuniu editores, alunos, professores, empresários e jornalistas em um dia de bastante conteúdo - conteúdo, aliás, foi o que não faltou.

Em 1895 a revista norte-americana The Furrow, da John Deere, foi a pioneira em marketing de atração em publicações impressas.  A publicação da empresa, em vez de apresentar um catálogo de máquinas agrícolas optou por ensinar aos fazendeiros estratégias de plantio, cultivo e colheita. Com o conhecimento difundido entre as suas personas a John Deere passou a vender muito mais na região, e nas décadas seguintes várias empresas como Michelin, Sears e Procter & Gamble passaram a utilizar a mesma estratégia.

Assista mais sobre a Furrow: 

Apostar em estratégias ousadas e diferenciadas tem se mostrado a melhor opção para se destacar no mercado de revistas e jornais, tanto digitais quanto (e não ao invés de) impressos. E o DigitalDay trouxe essa temática de forma bastante pertinente.

Walter Longo, presidente do Grupo Abril (que substituiu Giancarlo Civita em fevereiro de 2016), mostrou em sua palestra "A Soma é maior que as partes" como, com um pouco de criatividade, as empresas de mídia podem se renovar e atrair mais leitores para a mídia impressa integrada ao digital. De forma prática, simples e direta: não é preciso substituir as páginas impressas pela versão digital, mas sim criar engajamento para que o leitor possa consumir os conteúdos de forma integrada.

O ex-presidente da Grey (uma das empresas do grupo Newcomm de Roberto Justus),  também apresentou diversos casos de sucesso de branded content das revistas do Grupo Abril. Segundo ele, não se trata de enganar o consumidor. Trata-se de criar conteúdo de relevância e importância suficientes para que o leitor consuma esse conteúdo, mesmo quando patrocinado por alguma marca.

Com o aumento do uso dos adblockings (aplicativos ou extensões que uma vez instalados na máquina do usuário passam a bloquear a exibição de publicidade nas páginas, sejam todas elas ou algumas selecionadas) a publicidade nativa vem se mostrando bastante útil, técnica que o grupo Abril utiliza cada vez mais para aumentar suas receitas publicitárias - e, por consequência, valorizar conteúdo editorial para o leitor.

Walter Longo, presidente da Abril em palestra no DigitalDay 2016

 

Mas o que é, afinal, publicidade nativa?

Dia 02 de setembro (um dia após o DigitalDay), um exemplo muito prático de publicidade nativa estampou as capas dos principais jornais do país: uma campanha patrocinada da Netflix noticiando a fuga de Pablo Escobar da prisão. Quem passa na banca de jornais e vê uma capa dessas imagina que entrou em uma capsula do tempo direto para julho de 1992, quando o narcotraficante colombiano fugiu da prisão com medo de ser extraditado para os Estados Unidos. Pois tudo faz parte da campanha da provedora de séries e filmes em streaming para promover a segunda temporada de Narcos. 

Jornais amanheceram com a notícia de fuga de Pablo Escobar

 

O adblocking, que vem tirando o sono de muitos publishers em todo o mundo, também foi tema do evento. Em uma palestra promovida pelo recém reeleito presidente do IVC (Instituto Verificador de Comunicação), Pedro Silva mostrou em números o crescente uso dos bloqueadores de anúncios no país.  O serviço do IVC chamado "AdBlock Detector" serve para monitorar quantos visitantes de um portal estão bloqueando anúncios, e fornece ferramentas para que os editores decidam e tomem suas estratégias - seja lá quais forem.  

A Forbes, revista nova iorquina de negócios e economia, passou a bloquear usuários que utilizam ferramentas de Adblocking. A Folha de São Paulo, jornal líder de circulação no Brasil, passou a utilizar a mesma estratégia. Mas em poucos dias surgiu o "Anti Adblock Killer", ou seja , não tem volta: para cada bloqueador existirá um desbloqueador para leitores que se sentem incomodados com banners. Por isso coube ao IVC apenas apresentar meios de detecta-los, mas não de soluciona-los.

O DigitalDay foi um evento bastante imersivo e dedicado ao conteúdo. Sem espaços patrocinados, sem estandes e sem muitos elementos de distração. Tudo para fazer os editores entenderem a mensagem que estava sendo passada ali:

O digital é uma extensão do físico, e farão sucesso aqueles que entenderem esse vínculo e que não criarem barreiras para testar o mercado.

 

 

 

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